terça-feira, 10 de setembro de 2024

 é como voltar para casa, 
depois de uma longa viagem, em uma dose de loucura. 
identifiquei todas as nuances da insensatez,
é palpável o delírio nos olhos
e o vazio inerente de um coração que nunca pulsou. volátil? 

um adeus às intermitências de um indivíduo,
em minha nuca não existem olhos.

domingo, 20 de outubro de 2019

Na volta da prainha, muito vento, poucas palavras. Desceu do carro, se pôs de pé e na cabeça um lenço, que ganhará vida e dançava no rosto feminino e apaixonado dela, que com os olhos sorria para o rapaz que passava do outro lado da rua, o par de olhos escuros sequer piscou de tamanha adoração, mas o rapaz não retribuiu o olhar nenhuma vez. Ela andou por vários caminhos, em nenhum deles ele estava, quando mudou a rota enfim se trombou com o sujeito; soube seu nome, sua cor favorita e o que gostava de fazer e era inevitável conter o riso no fim daquele prolongado inverno. O moço até que gostou dela, fazia graça de suas piadas e jeitos,  caiu no encantos dos olhos dela, olhos da noite e neles jurou que quis se perder. E foram alguns dias, uma ou outra noite, quase, quase nada de romance, mas um beijo finalmente aconteceu. Dizem que o touro só acaba uma tourada depois de deveras machucado ou morto, com o coração é quase a mesma coisa, corre, apanha, corre, apanha, no fim cai, e é sorte levantar de novo ou não. O coração da moça se assemelhava a breve luta pela sobrevivência do touro, o coração era como um touro, bravo, forte, destemido, mas após tantos esporros normal fraquejar, cansar
Enquanto Joker passava, sala cheia, impossível não pensar nas outras pessoas presentes, pois a mastigação massiva de pipoca era frenética e barulhenta. Nesse momento pensei nas palavras de Christopher Waltz sobre como as pessoas perdem do filme e da experiência ao comerem o tempo todo e pipocas cada vez maiores e frango, sim até frango. A questão da audição deve ser tão afetada, mas aposto que quem mastiga o pote de tamanho G nem se importe com isso. Mesmo com o filme se desenvolvendo perfeitamente diante dos meus olhos, o meu maior desejo era captar tudo, cada frame, cor, plano, fala, expressões mas não conseguia ter concentração absoluta, por mais que estivesse amando e hipnotizada, preferia cem vezes poder ver em casa sozinha no escuro em pleno silêncio, nem minha respiração penosa atrapalharia. O ambiente na minha volta trazia a mensagem do filme por vezes até duplicada, além do barulho comum do mexer e remexer nas poltronas, conversas paralelas, celulares ligados e claro, das pipocas, havia grande inquietação, aparentemente um filme de mais de duas horas é inadmissível para algumas pessoas ficarem quietas, calmas e concentradas, não consigo não me ater ao momento em que o personagem tremia as pernas com grande ansiedade e nervosismo, uma tremedeira típica de alguém imperativo, sentado exatamente ao meu lado, as duas cenas unidas, na tela e na realidade, eu expectadora de ambas, o tremor chegava até mim, eu pude sentir toda a vibração e inquietude, logo a reflexão automática sobre o que via e sentia era cada vez maior, como é complicado tentar meramente pensar sobre essas duas situações ao mesmo tempo e ainda adquirindo a cada segundo mais e mais informação para assimilar, incrível não? como que na nossa percepção, toda e cada experiência no cinema muda de acordo com quem está sentado conosco seja três fileiras abaixo, duas fileiras acima, ou do nosso lado.